Uma desempregada que voltou a morar em Curitiba, após quatro anos em Buenos Aires, afirmou seu espanto com a falta de hábito e má vontade para com o envio de currículo via internet: encontrou muita gente relutante em fazê-lo, descrente da paridade com o tratamento dado ao entregue pessoalmente; e empresas não equipadas, relutantes em receber currículos pela rede mundial de computadores. Testemunhou que na capital argentina, há tempos, só se aceita currículos via internet. Ponderei que por aqui avançamos para isto também (não totalmente), e que perante candidatos bem formados e informados tal realidade já vem sendo assimilada.
Inúmeros desempregados duvidam se todos os destinatários dos seus currículos irão lê-los, com atenção, se os terão à mão para consulta e uso eventual, se jogarão no lixo ou os "deletarão". Dúvida dispensável: vários terão por destino imediato uma gaveta obscura, o cesto de lixo ou serão tratados como vírus de computador. Tal destino é resultado de comportamento e interesses inaceitáveis por parte de alguns dos que recebem os currículos, o que dificilmente é percebido ou possível comprovar; ou, os currículos não mereciam outro tratamento, caso em que candidatos medíocres ou equivocados estão sepultados antes do último suspiro, até quando seus currículos chegam às mãos de profissionais atentos, capazes, com postos de trabalho por preencher, mas, não milagreiros nem bobos.
A avaliação do currículo pelo selecionador é a quarta duma série de etapas. A terceira é saber entregar o currículo, habilidade que pouca gente percebe e desenvolve. A segunda é preparar um bom currículo, outra habilidade que multidões precisam aprimorar. A primeira é corresponder a ele, e, infelizmente, muitos currículos apenas comuns conseguem ser bem melhores que seus donos.
Óbvio que é inevitável o trato direto entre candidato e selecionador ou empregador. Mas não imediatamente, salvo exceções específicas ou contidas num contexto à parte de processo seletivo puro, sem "vícios". As multidões que não entendem isso certamente são vítimas deste e outros conceitos e hábitos obtusos, a prejudicá-las duramente. Graduação vem depois do vestibular e longo percurso há entre um e outro; de fato, chegar ao vestibular já se constitui num longo trajeto, a ser bem feito, sob pena de dele não se passar.
Há circunstâncias que determinam a viabilidade de se usar a internet. Os tolos lamentarão os e-mails e cadastros que serão perdidos; os sábios apostarão nos que serão devidamente lidos, arquivados e utilizados, se e quando possível.
Muita gente faz cada vez mais sexo pela internet e dentre eles há quem prefira este e não o modo vindo desde os tempos da idade da pedra. Na fantasia, os amantes são perfeitos e suas peripécias também; porém, o mentiroso ou inepto sexual pode não conseguir mais que uma noitada virtual ou real, coroada com a decepção do(a) parceiro(a), conforme a convivência vá mostrando que tudo não passava de propaganda enganosa. Com o currículo também pode ser assim. Qualquer um consegue uma CNH, mas nem todos são motoristas (quanto a fazê-lo com eficiência máxima).
E é o que importa: qual seja o meio utilizado para fazer seu currículo chegar às mãos de quem o possa contratar ou indicar, no ato ou oportunamente, você tem é que ser tão bom quanto escreveu ser, cumprindo com esmero as quatro etapas acima aludidas e todas que se lhe apresentem. Conhecimento de informática e internet não é qualidade acessória: é obrigação indispensável, para início de conversa. Falta de computador e dinheiro atrapalha, mas não deve impedir seu acesso: quem não "navega", afunda.
José Carlos de Oliveira
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