O dia do seu aniversário é o dia do seu Natal. Vinte e cinco de dezembro festeja o Natal de Jesus, para os cristãos. Dar presentes é tradição cristã; desse hábito a sociedade de consumo se apossou, incutiu-o em nós de tal modo a ser necessidade fazê-lo, sob pena de magoar entes queridos que esperam receber ou frustrar quem não tem dinheiro para presentear. Celebrar a ocasião no seu real significado se faz cada vez menos, por esquecimento, desinteresse ou desconhecimento. Papai Noel é mais lembrado, ou com maior interesse.
O dia do falecimento da pessoa é o dia da sua Páscoa, para os judeus e, a partir de Jesus, também para cristãos. Páscoa ou passagem alude à essência do cristianismo - a ressurreição - porém, o Ressuscitado é relegado ao esquecimento, perdendo para coelho e seus chocolates, por obra e para deleite da já citada sociedade de consumo: nós.
Há brasileiros que sabem o dia da Independência dos Estados Unidos mas não o dia da nossa. O Hino Nacional é cantado nos eventos esportivos, com prazer e adesão; e nos eventos cívicos, por vezes e por muitos, por mera obrigação. Nas raras vezes em que se mobilizou e juntou multidões a reivindicar interesses legítimos e patrióticos, com exceções, pouco depois, prevaleceu o desânimo e a decepção pelos resultados não alcançados na plenitude e de imediato - o que é normal - ou, na calada da noite, prevaleceu o interesse particular em detrimento do coletivo; especialmente porque aquilo que as pessoas condenam nos maus políticos e seus comissionados e apaniguados, funcionários públicos, líderes sindicais e religiosos, é o que muitas delas fariam se estivessem no lugar dos criticados, ou, fazem, no seu cotidiano, no meio ao qual pertencem - nem sempre por má fé mas por maus hábitos.
As três datas têm em comum serem altamente desejadas por cristãos ou não, por interesses vários, prevalecendo o dos empregados que amam quando caem numa terça ou quinta-feira, gerando o famoso feriadão - abominado pelos empregadores que em nada se beneficiarão desse recesso. Gostemos dos presentes, chocolates e feriados; mas encontremos nas ponderações feitas subsídio para refletir sobre nosso dia a dia profissional. Por exemplo:
Se a empresa oferece ginástica laboral, confraternizações e cursos, o "Natal" é nascer de novo - aprimorar-se como pessoa e profissional e crescer junto com os demais; o desvio do significado real e opção pobre é comemorar como ocasiões para divertir-se às custas do patrão e fugir do trabalho. Se você errou, foi prejudicado por imprevisto ou injustiça e se posar de vítima revoltada, protestante e inoperante, terá passado pelo sofrimento que a antecede mas negará a sua "Páscoa" para outras tentativas e novas oportunidades de êxito, renovadas pelo aprendizado também com erros e sofrimento. E se você não for "patriota" para com a empresa que o acolhe - mesmo que ela não seja perfeita e salvo se for uma filial do inferno - que quererá esperar em troca, senão uma carreira medíocre e infeliz ou a demissão? Hoje, vestir a camisa tem outro impacto e já não é de se esperar que o sujeito trabalhe a vida toda numa única empresa: trocar de emprego de vez em quando será provável para ascender pessoal e profissionalmente; o que não significa não se empenhar para fazer o máximo e o melhor pela empresa. Seu atual patrão é sempre sua melhor referência para o futuro emprego. Às vezes, não se precisará dele mas não é uma regra garantida: e quem precisa esconder do atual patrão as referências dos anteriores, boa coisa pode não ser!
José Carlos de Oliveira
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