Agências, Assessorias e Assessórios

Informações elementares que muita gente desconhece.

Agência de Empregos presta serviços de recrutamento e seleção de mão de obra efetiva, temporária ou terceirizada; seus serviços profissionais são pagos pelas empresas que as contratam. O sigilo costuma ser parte do contrato e a identidade da empresa contratante não é divulgada de imediato: o empregador se preserva de atender inúmeros candidatos fora do perfil, desperdiçar tempo, pessoal, trabalho, estrutura e dinheiro; tratará somente com alguns candidatos adequados à sua necessidade, após devidamente selecionados. A delicada atribuição de dizer não passa a ser da agência, que não deixa de ser uma assessoria. Emprego efetivo pode ser iniciado sob contrato de experiência, período de até noventa dias, com previsão de cumprimento ou não de aviso prévio; superada a experiência, torna-se contrato definitivo. Emprego temporário o nome já o explica e também indica ser geralmente mero argumento de motivação dizer aos recém contratados que os melhores poderão ser efetivados. No emprego terceirizado a empresa X contrata e o empregado presta serviço na empresa Y, por tempo determinado. Algumas agências podem recrutar, selecionar e registrar em seu nome: caso de temporários ou terceirizados. Recrutar significa captar ou angariar candidatos com vistas ao preenchimento de vagas existentes. Selecionar é escolher os candidatos mais adequados às vagas; nem sempre mais adequado é sinônimo de melhor.

Existem empresas especializadas na oferta de estágios: ocasião na qual o estudante pratica o que está aprendendo no colégio ou faculdade. Também é por tempo determinado; pode ser remunerado ou não. Às vezes, faz-se do estagiário um empregado bem mais barato, o que decorre das superadas legislações trabalhista e da Previdência, principalmente, mas, não se justifica.

Assessorias de Recursos Humanos cobram seus honorários do candidato a emprego. Em contrapartida, dão-lhe suporte mais intenso e completo que o da agência de empregos: orientação particular, palestras, apostilas, dinâmicas de grupo, encaminhamento do currículo para empresas contratantes, divulgação em sites, etc. São opção para candidatos graduados; se, com formação média ou técnica, ao menos dotados de capacitação notável.

É modismo histórico importar expressões inglesas sem a menor preocupação de traduzi-las; muito pelo contrário, e assim é também na área de recursos humanos. Três ora em voga:

- Coach: facilitador e instrutor, pode ser pessoa, equipe, departamento ou empresa que atua como agregador das capacidades de cada elemento duma equipe ou organização; pode levar à qualificação pessoal mas não é terapia.

- Headhunter: é o caçador de cabeças ou de talentos. Seu mister consiste em encontrar e distinguir os candidatos/profissionais comuns dos notáveis - aqueles que realmente poderão fazer a diferença para a empresa contratante - adequando-os conforme as oportunidades.

- Outplacement: empresa que se mobiliza visando a reinclusão de ex-empregado no mercado de trabalho.

São expressões e serviços comuns nas assessorias.

Agências do Trabalhador (SINE) é serviço público; fazem triagem básica de currículos e encaminhamento de candidatos. Não cobram honorário de candidato nem de empregador.

Centrais de Vagas - ou sob outra denominação - são um serviço que se divulga intensamente (cartazes na cidade toda, panfletos, etc.), como dotado de centenas de vagas e que de lá o encaminhamento para as vagas pretendidas é facilitado. As vagas são coletadas das agências e de algumas empresas. Os candidatos são direcionados a confeccionar o currículo, com cópias, a alguns encaminhamentos para agências e empresas e divulgação na internet; por isso pagam um valor pré determinado, com opções no preço e serviços. Algumas priorizam seus serviços pelo site. Confecção de currículos é serviço que em toda esquina se encontra e é melhor não esperar nada além disso mesmo: só a digitação do currículo; e feliz de quem sabe o que pedir e observar o que deve ser escrito nele. Balcões de Emprego - nas rádios, TVs, associações, jornais, igrejas e gabinetes políticos - quantidade cada vez maior, qualidade e compromisso, nem tanto.

Qual a melhor opção? Qualquer delas, para o candidato que se emprega e fica satisfeito.

As agências e assessorias prestam serviço de conotação social indiscutível e não diminuído pelo fato de serem empresas privadas, portanto, visando o lucro. Cada qual com seu porte e modo de atuar, tende a estabelecer vínculo mais intenso e duradouro com empregadores e candidatos: pelo imperativo de honrarem as obrigações assumidas, pelas quais são pagas e por prestarem um serviço mais detalhado e qualificado, com resultados - caso contrário, não formariam carteira de clientes e lucro. Se o candidato ou empregador não tiver conhecimento, estrutura e segurança para agir só, são a opção mais recomendável: em geral, a mais cara ou burocrática de imediato e a mais barata no médio e longo prazos. Alguns sites são excelentes ferramentas de informação, formação e encaminhamento à vagas; alguns jornais são excelentes informativos sobre vagas e onde encontrá-las, além de conterem acessórios como concursos, orientações e opiniões.

Todas as opções merecem a avaliação do pretenso interessado. Cobrar dinheiro de desempregado pode ser legal mas tem que ser moral. Lembre: pagar por cursos e quaisquer outros serviços é fazer investimento que precisa resultar no seu aprimoramento, maior visibilidade no mercado de trabalho e isso depende de quem presta o serviço mas principalmente do candidato. Nenhum pagamento (lícito) garante vir a ser empregado. Preocupa-me a quantidade de pessoas mal orientadas por orientadores que não sabem o que dizem; ou sabem, em causa própria - sendo o propósito maior ou único a audiência, o lucro financeiro, político ou religioso. Pior que isso só a absurda quantidade de gente alienada e cega à mercê de tantos oportunistas. Repetindo: se você chegou até aqui existe chance de estar no caminho certo.


José Carlos de Oliveira

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